Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Intertextualidade   Nevoeiro / Considerações Finais do Poeta (canto X)

 
O Encoberto,  Mensagem
 
A terceira parte de Mensagem, O Encoberto, traduz a imagem de um Império moribundo, mas também a fé de que a sua morte contenha em si o gérmen da ressurreição, capaz de provocar o nascimento do império espiritual, moral e civilizacional - o Quinto Império.
 
A desintegração do Império sugere um presente de sofrimento e de mágoa, pois «falta cumprir-se Portugal», mas anuncia-se profeticamente uma nova eraÉ a hora!»).
 

Nevoeiro
Linhas temáticas
 
O poema é uma representação do estado de decadência, de incerteza e indefinição em que se encontra Portugal, que se caracteriza pela ausência daquilo que define uma nação (rei, lei, paz, guerra) e também pela ausência de ideais definidos («ninguém sabe», «ninguém conhece», «tudo é incerto e derradeiro»).
 
Simbologia
 
Enquanto símbolo de estagnação e obscuridade, o nevoeiro representa uma pátria moribunda, num profundo marasmo, mas uma vez dissipado, pode sugerir a esperança que se renova numa época de esplendor e grandeza - «(Que ânsia distante perto chora?)»
 
 
Considerações do Poeta
 
Os Lusíadas (Canto X)
 
 
 
 

Em jeito de apelo e incitamento, o poeta aconselha o rei D. Sebastião a dar continuidade à obra grandiosa do povo português, facto já profetizado («… e o vosso peito / Dina empresa tomar… / Como a pressaga mente vaticina / Olhando a vossa inclinação divina…»).
Linhas temáticas
 
Numa atitude pedagógica, o poeta louva os Portugueses, pela grandeza da sua aventura gloriosa, mas também os censura de forma contundente. Acusa-os de ignorância e de desprezo pelas artes, alerta-os para os perigos da decadência da pátria resultantes do menosprezo da cultura, e lamenta a indiferença e a insensibilidade daqueles que não lhe dão o devido valor.
 
Críticas do poeta
 
-          Confessa estar cansado de «cantar a gente surda e endurecida», que não valoriza a cultura nem as artesO favor com que mais se acende o engenho / Não no dá a Pátria…»);
 
-          Denuncia o estado de decadência da pátria, que «está metida no gosto da cobiça e na rudeza»;
 
-          Reconhece a perda da grandeza nacional, nesta época de «apagada e vil tristeza»;
 
-          Lamenta a falta de reconhecimento do seu génio, resultante do «honesto estudo», com «longa experiência misturado», por parte dos seus contemporâneos.
Mensagem - O dos Castelos
 

 
Assunto
 
A Europa surge como figura antropomórfica, de olhar «esfíngico e fatal», cujo rosto sugere a geografia de um país: Portugal.
 
Há, nesta visão simbólica do velho continente, importantes referências geográficas e culturais:
-          a posição de centralidade de Portugal na Europa, contribuindo para a unificação do Oriente e Ocidente («De Oriente a Ocidente...»; «Aquele diz Itália (...) Este diz Inglaterra...»);
 
-          a sua base cultural, apoiada na cultura gregaOlhos gregos...»);
 
-          o papel dinamizador de Portugal na missão civilizacional que desempenhou no passado, fitando os mares e o mundo, para os dominar («O rosto com que fita é Portugal.»).
 

Simbologia

 
A postura estática da Europa («De Oriente a Ocidente jaz, fitando...») parece invocar um presente de estagnação ideológica que só um novo alento de aventura pode superar.
 
O continente europeu, símbolo de um passado de glória e de descobrimento, assume agora uma atitude de expectativa em relação a um futuro que se prende com a renovação do ideal heróico: «O Ocidente, futuro do passado».
 
 Cabe, por isso, a Portugal, conduzir de novo a Europa e o Mundo à construção de um império do espírito – o V Império (confirmação do nacionalismo profético que percorre toda a obra).
 
 
Recursos expressivos
 
-          A presença de conceitos que evocam uma noção de estatismo, a representar a inércia cultural que marca o presente europeu: «jaz»; «posta»; «pousado»; «sustenta»; «apoia»;
 
-          A expressividade dos adjectivos, na alusão às bases culturais do continente europeu: «gregos»; «românticos» e sugerindo a inevitabilidade de um destino que cabe a Portugal cumprir: «esfíngico»; «fatal»;
 
-          O paradoxo, que põe em destaque a missão profética do «super-Portugal»: «O ocidente, futuro do passado
 
Análise do Poema Nevoeiro
 
Lê e completa o esquema.

Ó PORTUGAL, HOJE ÉS NEVOEIRO...
 

 
 

 
 
Expressão metafórica de uma Pátria moribunda e em decadência, onde reinam a incerteza, a dispersão, a inércia, apagando-se no marasmo do esquecimento.

 
 
 
 
 

 
Crise política

 
 
 
 
 
 

 
Crise de valores

 
 
 
 

 
Crise de identidade

 
 
 
 

 
 
A ruína e desagregação moral da Pátria, a sua indefinição, trazem já consigo uma possível redenção.

 
 
 
 
 

O mito messiânico de cariz sebastianista manifesta-se sempre em momentos de crise e desânimo nacional, e afirma-se como esperança numa nova era de grandeza e prestígio.
 
 
É A HORA!

 
 
 
 
 
 
 
 
 

1         Identifica o valor simbólico do conceito «nevoeiro» e justifica a tua resposta.
2         Relaciona agora esse conceito com o mito sebastianista que atravessa toda a obra.
3         Confirma o apelo nacionalista presente no poema.
4         Explica a expressividade da antítese «Que ânsia distante perto chora
 



publicado por Isabel Marques às 15:12
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