Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

 

O ESTATUTO DO NARRADOR
 

 

 
 
 
 

Narrador heterodiegético
 
 
Focalização omnisciente
 
 
 
Ao assumir diferentes pontos de vista, muitas vezes contraditórios, o narrador torna-se uma voz polifónica, garantindo a modernidade da obra.
 
 
A focalização omnisciente implica uma vertente subjectiva e permite ao narrador seleccionar o que deve narrar.
 
 
O narrador garante uma contínua cumplicidade com o narratário e permite a implicação deste na narrativa:
 
«…que importância hão-de ter os sonhos que por trás das suas pálpebras se estão sonhando, a nós o que nos interessa é o trémulo pensamento que ainda se agita em D. Maria Ana…» (pág. 32)
 
«…porém, vindo nós de uma guerra onde vimos morrer tanta gente…» (pág. 37)
 
O narrador reflecte sobre o processo de escrita, desmistificando assim o seu papel, como se verifica nos comentários metatextuais:
 
«São comparações inventadas por quem escreve para quem andou na guerra, não as inventou Baltasar…» (pág. 110)
 
«Não é possível que Blimunda tenha pensado esta subtileza, e daí, quem sabe, nós não estamos dentro das pessoas, sabemos lá o que elas pensam…» (pág. 341)
 
O controlo da narrativa por parte do narrador é ainda verificável nos comentários valorativos ou depreciativos, nos juízos de valor e no tom moralístico que perpassa em:
 
·         provérbios ou profecias:
 
«…a pobre não emprestes, a rico não devas, a frade não prometas…» (pág. 76)
«…a história da aviação não acaba aqui.» (pág. 203)
 
·         advertências ao leitor:
 
«…isto se devendo ler com muita atenção para que não escape ao entendimento.» (pág. 276)
 
O tom irónico ou sarcástico permite parodiar o passado histórico e o humor põe em evidência a discordância do narrador perante os factos evocados, concedendo ao leitor o espaço de julgamento inteligente, porque confia na sua perspicácia:
 
«…está o Rossio cheio de povo, duas vezes em festa por ser domingo e haver auto-de-fé…» (pág. 50)
 
«…se este rei não se acautela acaba santo.» (pág. 284)
 
O discurso do narrador é também anti-épico, quando rebaixa heróis que a História glorifica e nos apresenta como heróis gente anónima em que se incluem personagens com defeitos físicos, como Baltasar, ou homens andrajosos, como os operários da construção do Convento de Mafra:
 
«…termos consentido que viesse à história quanto há de belfos e tartamudos, de coxos e prognatas, de zambros e epilépticos, de orelhudos e parvos…» (pág. 244)
 



publicado por Isabel Marques às 12:27
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